sexta-feira, 22 de outubro de 2010

>>> show >>>

SWU: Meio ambiente, meia sustentabilidade
Festival traz boas ideias, mas não se desvincula de costumes nocivos ao planeta

"Começa com você". Essa é a tradução do nome do Festival "Starts With You" (SWU), que vendeu a imagem de festival da sustentabilidade. Grandes bandas de rock do mundo inteiro apareceram na Fazenda Maeda, em Itu-SP, para alegria dos fãs: Rage Against the Machine, Pixies, Linkin Park, Dave Matthews Band, dentre outras. Mas a alegria da sustentabilidade ficou devendo - será que os fãs cobrarão na segunda edição do festival, em 2011?

As boas ideias começaram com o transporte coletivo. Foram disponibilizados ônibus próprios do evento saindo da capital paulista e da rodoviária de Itu. A execução precária no primeiro dia, porém, prejudicou aqueles que desejaram vencer a lógica moderna do automóvel particular - um dos mais graves problemas ambientais, que envolve trânsito, ruídos, poluição do ar, produção de lixo e até aquecimento global. Os ônibus ficaram presos no trânsito caótico e os fãs sustentáveis ficaram na mão - ou melhor, na estrada.

Uma boa ideia que deu certo foi a diferenciação de preços para estacionamento de carros: aqueles que levaram pelo menos três caroneiros pagaram meia. Os fóruns também foram bem frequentados, e contaram com nomes como Marcelo Yuka e Washington Novaes. Ainda bem que aconteceram durante o dia, porque alguns palestrantes passariam mal de ver a quantidade de embalagens consumidas ao longo do evento. Recicladas, é verdade, mas na pedagogia dos 3R's, a redução e a reutilização aparecem na frente. Água mineral em garrafinhas plásticas; cerveja em latinha; água e lanchinhos barrados na entrada. Toneladas de embalagens que, em 2011, poderiam ser substituídas por garrafão de água mineral, garrafão de chopp, caneca e nossos cantis trazidos de casa.

E a área "vip"? Na meia sustentabilidade do SWU, elas ocuparam 100% da frente do palco, reduzindo os ídolos a pequenas formiguinhas para quem não era "vip". Mas os fãs "não-vips" do Rage Against não se contentaram em ver apenas formiguinhas: confusão armada. Poderia ter uma área vip menos excludente.

Poderá, pois o site do evento abriu espaço para sugestões: www.swu.com.br.


Texto: Rogério Alvarenga.
Imagem: Fábio Pontes.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

>>> incêndio >>>

Pegando FOGO
Ações humanas e clima seco podem ter desencadeado série de incêndios na Serra de São José

Nos últimos dias, os incêndios florestais têm consumido de forma rápida a Serra de São José, especialmente nos municípios de Tiradentes, Santa Cruz de Minas e São João del-Rei. No domingo, 29, os bombeiros voluntários de Tiradentes trabalharam durante cerca de dez horas para controlar o fogo que começou no Mangue. Esse trecho havia sido muito frequentado durante a manhã por centenas de moradores e turistas que apreciam a beleza das cachoeiras, fauna e flora locais. Contrato Natural apurou que um grupo que fazia caminhada no local pela manhã afirma ter percebido fumaça em grande intensidade próxima ao local.

No dia seguinte, o incêndio recomeçou próximo às Águas Santas, e podia ser visto até mesmo do centro de São João del-Rei, dada a expansão que o fogo tomou com o clima seco e o vento forte. Novamente os bombeiros foram acionados, mas, no final da tarde, precisaram dividir esforços com mais um incêndio de grandes proporções, nas proximidadades do Bosque da Mãe D'Água e do Chafariz de São José, em Tiradentes. Além de 20 bombeiros voluntários, outros 30 moradores da cidade se juntaram para conter o estrago iniciado, provavelmente, por ações humanas.

O empenho para controlar o fogo envolve boa parte do município. Durante as ações dos bombeiros e outros moradores, houve coleta de água mineral, frutas e sanduíches para colaborar com o trabalho incessável dos voluntários. Moradores reclamam da falta de fiscalização dos poderes públicos nas serras, que formam uma Área de Proteção Ambiental Estadual (APA) e um Refúgio Estadual de Vida Silvestre (Revs).

Com fotos e informações do Corpo de Bombeiros Voluntários de Tiradentes
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quinta-feira, 15 de julho de 2010

>>> $ociedade >>>

Refém de um sonho

Acorda. Toma o café, o banho, prepara-se para ir ao trabalho. Por sorte, hoje ele precisa andar apenas um quilômetro. Mas andar, para ele, é sinônimo de andar sobre rodas. Pega o carro e vai ao trabalho, diariamente, de carro. Não se lembra de outra hipótese senão essa. Nunca pensou se um quilômetro é pouco ou muito, é saudável ou não, faz sol ou chuva, faz calor ou frio. Mas pega trânsito, gasta com combustível e se estressa.

Acorda. Toma o café, o banho, prepara-se para ir ao trabalho. O carro falha uma vez. Duas. Falhou de novo. O carro quebrou. A preocupação toma conta: como ficar sem o carro? Providencia o conserto imediatamente. Falta ao trabalho porque o carro quebrou, gasta com o conserto e se estressa.

Acorda. Dá bom dia ao pai, à mãe, aos dois irmãos. Ama todos, mas se estressa por não morar sozinho. Sente falta da liberdade, mas não tem dinheiro para alugar uma casa. No lar, ninguém tem. Mas todos têm a liberdade de ter o seu próprio carro. Toma o café, o banho, prepara-se para ir ao trabalho. E vai, sozinho, e se estressa.

Acorda. Faz as contas do mês e se estressa novamente. Ganha mais de mil reais, não paga aluguel, não tem filho, mas a conta não fecha. Combustível, seguro, estacionamentos, IPVA, lavagem, consertos: descobre que o carro é um filho. E se sentiu refém do carro como se sentiria de um filho. Mas se estressa, e não tem como retribuição o amor. Sente dor, não faz exercícios. Mesmo assim, prepara-se para compar um carro novo, porque o seu desvalorizou.

Acorda. Percebe que, mesmo se vender o seu carro, terá gastado mais de 100 mil reais desde que fez 18, há dez. Novamente se estressa. Não percebe que estressou as ruas apertadas, o trânsito sufocado, os que dependem do carro para trabalhar, os que usam ônibus, os que andam de bicicleta, os que respiram ar poluído.

Acorda! Mas apenas quando quiser - se quiser!

Ideia e texto por Rogério Alvarenga
Foto: www.sxc.hu

sexta-feira, 25 de junho de 2010

>>> $ociedade >>>

Abominável Mundo Novo
Dados do IBGE mostram que brasileiro gasta cada vez mais com transporte

por Rogério Alvarenga

João tem 35 anos. Aos 28, percebeu que a vida na cidade pequena era monótona e não oferecia tanta coisa boa quanto nas metrópoles. Decidiu se mudar para a capital. Mas a capital mudou junto com ele; cresceu, e suas despesas cresceram junto. João precisou gastar com ônibus. Veio o desenvolvimento, subiu na vida e, claro, precisou gastar com seu carro próprio - para muitos, uma necessidade que vem antes que a casa própria.

João é só um personagem fictício, mas representa bem milhões de Josés e Marias que habitam o Brasil. É o que indicam os números da Pesquisa de Orçamentos Familiares, divulgados no último dia 23 pelo IBGE. Quando nosso personagem João nascia, as despesas com transporte ocupavam apenas 11% do orçamento médio do brasileiro; quando João decidiu se mudar para as grandes cidades, já atingia 18%; hoje, chega a 20%.

O avanço do rombo que as despesas de transporte fazem no bolso do cidadão acompanha de perto o aumento da população concentrada em grandes centros urbanos. João deixou de ir ao trabalho a pé, simplesmente porque hoje precisa se deslocar vários quilômetros, muitos deles sem calçada e disputado por veículos poluentes e velozes. Até tentou usar bicicleta, como fazia quando precisava percorrer distâncias maiores, mas logo no primeiro dia sofreu um acidente e desistiu.

Em nosso abominável mundo novo, Josés e Marias precisam decidir entre usar o péssimo transporte coletivo ou comprar um carro. Se o bolso permitir, escolherão a segunda opção. Pobre Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que na semana passada divulgara uma pesquisa indicando poluição séria e severa de ozônio em praticamente todos os municípios avaliados em São Paulo.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

>>> mini >>>

Vou jogar fora no lixo

O texto abaixo, sobre as limitações da coleta seletiva existente em Salvador, foi publicado num jornal de grande circulação da cidade:

"A coleta seletiva em Salvador tem sido realizada para atender a interesses meramente comerciais e políticos. A ingenuidade a respeito do comportamento humano soma-se ao fato e nos prejudica. Nos postos de entrega do "lixo" selecionado, é necessário expor, além do estímulo, uma ação e uma conseqüência positiva para que o comportamento esperado - selecionar o lixo - possa acontecer com maior freqüência. É preciso ver o resultado, o produto de uma ação para que haja compreensão e adesão.

Com relação aos estímulos, também nos locais de entrega, uma realidade ineficiente é verificada. A exemplo dos postos de arrecadação de pilhas e baterias (que já são poucos), há propagandas de marcas famosas e nada a respeito da importância da coleta e de suas conseqüências positivas. Esses postos, portanto, não são identificados por sua finalidade, passando despercebidos pela população. Ainda não há uma propagando maciça nas mídias para que os locais de entrega sejam identificados, nem coleta em bairros periféricos.

Como se pode pedir à população que selecione o lixo e encaminhe para a reciclagem, sem fornecer os meios para isso?" (Paullo Phirmo)

Parece com a realidade que cada um de nós vive em sua cidade, hoje? Então talvez você queira saber que o texto foi publicado em...

... 2001!

Foto: lixão em Poços de Caldas mostra realidade do "tratamento" de lixo (por Michelly Renne)

terça-feira, 1 de junho de 2010

>>> mini >>>


Vida Simples


Você já se sentiu importante, engajado em algum movimento? Já se deu conta da grandeza de suas ações e que elas sim, podem salvar o mundo? Já se sentiu feliz por uma coisa à toa, extremamente bela com sua pior roupa? Já deixou o carro na garagem e no supermercado não pediu sacolas? Você já se divertiu sem gastar dinheiro, já percebeu a alegria no rosto de alguém que não possui nenhuma riqueza aparente? Você já viu um por-do-sol, esquecendo-se de tudo ao seu redor? Já subiu em uma mangueira, ou comeu jabuticaba no pé? Você alguma vez já disse o que sente sem sufocar as palavras e ganhou um beijo? Já andou de mãos dadas, já distribuiu abraços, cantou no chuveiro, correu na chuva, fez bolhas de sabão, acampou com os amigos, ascendeu uma fogueira, sentiu e doou amor?

Se sim, você já viveu momentos de vida simples. Lembranças que ficam guardadas na mente e sempre são vistas como especiais e felizes.

Pratique a vida simples em sua vida e viva mais feliz!

Texto e vídeo por Marcelo Máximo, publicitário
www.mmaximo.musicblog.com.br

sexta-feira, 28 de maio de 2010

>>> agenda >>>

Semana do Meio Ambiente em São João del-Rei
Tema "Salvar o planeta está em nossas mãos!" chama a responsabilidade para o cidadão

por Rogério Alvarenga

Poluição das águas, do ar e das cidades; exploração animal; desmatamento; tratamento do lixo. É possível listar inúmeros problemas ambientais que se multiplicam na sociedade moderna, mas também é possível buscar soluções. Esse é o pensamento da III Semana do Meio Ambiente de São João del-Rei, que ocorre entre 31 de maio e 12 de junho envolvendo atividades em escolas, limpeza de córrego, plantio de árvores, caminhada pelos animais, blitz ecológica, passeio ciclístico e discussões sobre água e lixo. As atividades alcançam também o município de Santa Cruz de Minas.

Organizam o evento a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da UFSJ (ITCP), a Secretaria Municipal de Agropecuária e Abastecimento, o Instituto Estadual de Florestas (IEF), a Emater-MG, a Polícia Militar-MG, o ICMBio/Flona de Ritápolis, e a Escola Caminho do Sol.

A abertura oficial acontece no dia 31 de maio, às 9h, na sede do 38° BPM. A partir da mesma data, acontecem palestras em escolas e plantio de árvores frutíferas. Programação especial está prevista para o Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, através de blitz ecológica com distribuição de lixeiras para automóveis e folders educativos. O encerramento, em 12 de junho, prevê ações em convergência com o Dia Regional Sem Carro.

O site Contrato Natural acompanhará o evento. Aguarde cobertura.

Mais informações: www.institutoapoiar.org.br.

Foto: Cachoeira do Mangue, por Rogério Alvarenga